sábado, 30 de maio de 2009

Sucesso e fracasso...


Podemos na vida alcançar sucesso ou fracasso, o que você quer? Óbvio que todas as pessoas irão endereçar suas respostas para "sucesso". Ninguém gosta de perder. Ninguém quer falhar ou se sentir um fracassado. Todo projeto, quer seja uma guerra militar, um negócio próprio, construir e administrar uma casa, enfim, cada idealização dessas são criadas para no fim gerar um resultado satisfatório. E nesse fim desejado é claro que também estão dinheiro, prestígio, poder, vitória e sucesso, muito sucesso.
Você já ouviu falar na dupla Pepê e Neném? E do Roy, um dos componentes do grupo Menudo? Pois é, ambos estão vivendo hoje no ostracismo e praticamente na pobreza. Ou seja, sem luxo, dinheiro e fama, eles estão, como muitos outros cantores da década de oitenta, vivendo agora o lado "B" da glória que um dia tiveram. Sem popularidade ou notoriedade alguma são hoje em dia apenas mais um no meio da multidão. Tiveram os seus 15 minutos de fama. Atingiram repentinamente o sucesso, para depois, da mesma forma, como um raio, cairem em total fracasso.
Não são poucos os relatos de pessoas que já foram muito ricas e que agora vivem na miséria.
Sucesso e fracasso; vítória e derrota; subir e descer...
Não seria tudo isso a mesma coisa?
Se fizermos uma analogia com o dia e a noite, por exemplo, veremos que tudo faz parte do roteiro da vida. Perder e ganhar então poderia perfeitamente ser comparado como um dia inteiro na vida de alguém. Se temos um dia claro, de muito sol, calor, com poucas nuvens e uma leve brisa, poderíamos dizer que é a parte da nossa vida onde estamos em boa ocorrência. Dai produzimos mais, fazemos melhores amizades, nos associamos melhor, etc. E com isso vencemos, subimos e obtemos ele, o sucesso. Mas quando temos uma noite tenebrosa, com aquele clima chuvoso, repleto de nuvens carregadas, tremendamente frio e desanimador, poderíamos então dizer que é a parte da nossa vida onde estamos tendo más ocorrências. Dai, invariavelmente, produzimos menos, criamos inimizades, nos escondemos e ficamos tristes. Com isso perdemos, descemos e obtemos ele, o malfadado fracasso.
Um dia completo tem tudo isso. Luz e escuridão, sol e chuva, brilho e crepusculo. Somos como uma flor. Nascemos, crescemos, enrijecemos, florescemos e depois murchamos e finalmente morremos. Tudo faz parte de uma mesma vida. Nem só perder e nem só ganhar é a realidade.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Isso quer dizer então que fracassamos novamente? - O Papa indagou para alguns Sacerdotes, depois que analisou cada mensagem recebida das mãos de viajantes que chegavam em Roma.
- Sim, Eminência. - Respondeu um Cardeal.
- De nada adiantou pedir ajuda á estes famigerados Reis! - Exclamou um outro Clérigo.
Os Cardeais Jacques de Vitry e João de São Pedro analisavam as conseqüências da guerra. Um deles, depois que teve acesso ao conteúdo das mensagens, alçou sua voz e indagou:
- O que faremos agora?
O Papa Clemente III pôs uma das mãos no queixo, pensou um pouco e então lhe deu a resposta:
- Vamos aguardar que todo o pelotão retorne. Assim que isto se der direi o que faremos.
Por que ele faz mistério? Está na cara que vai querer convocar mais homens, novos líderes e estrategistas para poder avançar em direção do Oriente novamente. Pensou João de São Pedro.
Grande parte do exército cruzado teve de permanecer no Oriente para que esta negociação fosse completada. Durante este tempo de permanência, o Rei Ricardo Coração de Leão ficou traçando todos os pontos deste tal acordo. Alguns soldados pediram dispensa e retornaram para suas cidades, inclusive Boullon Marques, que decidiu por retornar á Roma antes do tratado ficar positivamente confirmado.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A morte


Existem muitos temas e assuntos dos quais o ser humano gosta de passar o tempo conversando. Fala-se sobre dinheiro, trabalho, profissão, casamento, namoro, casa, marido, mulher, cachorro, gato, vizinho, amigo, compras, vendas, passado, futuro... As pessoas procuram tratar dos mais diversos e controversos assuntos, a fim de inteirar-se da vida do próximo e da sua mesma no contexto em que vive.
Mas parece que um assunto não permeia as rodas de bate-papo. É visto como um assunto desagradável, deprimente e ruim. Muitos até, por sua presunção, orgulho, soberba e altivez exacerbada, pensam que poderão prosseguir do jeito que estão sem precisar se dar conta deste tal fato. Tem sido muito comum ver, ouvir e notificar que as pessoas estão tentando de tudo, de tudo mesmo, para evitar aquele mal pelo qual todo ser humano um dia deverá passar: a morte.
Isso mesmo, poucos são os que falam com naturalidade sobre a morte, principalmente quando o óbito a ser analisado, discutido e posto em questão é o seu próprio. Algumas pessoas estão se sujeitando a operações no coração e no cérebro para prorrogar a vida e se distanciar do fatídico encontro com a sepultura. Tentam remédios rejuvenescedores, tratamentos médicos, cirurgias, injeções, alimento sem contaminação e ginásticas, para se manterem mais sadias e fortes, a fim de viverem mais e mais...
Isso até me faz lembrar daquele dito popular:"Todo mundo quer ver Deus, mas ninguém quer morrer."
Porque será que a grande maioria das pessoas, além de não gostarem de falar sobre a morte, também têem medo de morrer? Porque? Seria o medo do desconhecido? Seria a preocupação de ter de dar conta de tudo que praticou na vida? Humm... Acho que cada um teria uma resposta bem diferente... Mas o fato é que ninguém, por pior que esteja vivendo, quer mesmo morrer.
A morte é gelada. A morte é mórbida. A morte é a morte. Para muitos é o fim de tudo. Para outros é o início. Perder um amigo para ela é algo terrível. Perder um pai, uma mãe ou um irmão dai então é o desespero total. Mas não fique com medo da morte, ela ainda vai fazer parte da sua vida também. Se você já chorou por alguns que se foram, console-se, pois da mesma forma alguém irá chorar quando você se for.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Os Cardeais e Bispos, juntamente com o Papa Clemente III, estavam apavorados como vespas em um vespeiro mexido por alguém. A fatídica e repentina morte de Ambrósio Vittini deixava uma lacuna nos alicerces da Igreja. Apesar de ser grande, na Igreja, o número de Clérigos, o falecimento dele foi sentido em todas as camadas Sacerdotais. Tanto em pequenas Paróquias, como nas grandes Dioceses, entre Padres e Monges, a morte de um dos mais experientes Cardeais era uma lástima muito grande. Justamente aquele que se recusara um dia ser Arcebispo, nem nunca se elegera para o cargo de Papa, estava agora sendo enterrado. Tinham-no como exemplo de amor á verdade. Suas palavras e seus ensinos precisariam de tempo para que a Igreja encontrasse um substituto á altura para suprir a falta que ele faria na mente dos alunos, dos cursos ministrados pelas Dioceses, em várias regiões que freqüentou enquanto viveu.
Um dos mais abatidos pelo falecimento de Ambrósio era, seu amigo e um dos seus alunos mais antigos ainda vivo, Frederico Fresi. Antes de dar seu último suspiro Vittini, finalmente, havia lhe contado o verdadeiro motivo pelo qual, durante o final de sua vida, mudara de opinião, e passava a não concordar com as guerras levantadas pela Igreja. Contou também do arrependimento que tinha de um dia ter proliferado palavras de ordem á favor da morte dos hereges.

domingo, 24 de maio de 2009

Miscigenação racial


Somos um País miscigenado. No Brasil diferentes raças aqui se instalaram e se multiplicaram sem se preocuparem em manter as distinções de cor, credo e cultura. Por isso é muito comum, quando conversamos sobre esse tema, ver que as pessoas que conhecemos são ao mesmo tempo descendentes de Alemães com Indío, ou de Português com Italiano, ou ainda de Espanhol com Africano. As misturas são as mais diversas, e o povo Brasileiro é resultado disso. Imagine uma salada, é isso que o nosso povo é, uma salada étnica.
Mas em outros lugares também ocorreu o mesmo. Na Europa, famosa e orgulhosa pelas fortes raças dominadoras que ali cresceram, muito dessa mistura racial aconteceu. Ao longo de sua formação, como destacado continente que é, houveram povos distantes que acabaram se fundindo com os naturais daquele pedaço do mundo, criando com isso outras distintas raças. Por isso é cheio de pequenos Países com diferenciações mínimas. Existe lá influência de todos os povos dominadores em tudo o que se vê.
Os Estados Unidos também são famosos por essa invasão e complexidade de culturas em suas terras. Para lá foram, em seu início de Estado, pessoas da Inglaterra, da Irlanda, da Escócia, entre outros, para se misturarem com os tradicionais indios americanos como os apaches. E ainda hoje em dia continua acontecendo o mesmo, com a invasão dos Cubanos, dos Venezuelanos, Porto Riquenhos, etc, que entram, se fixam, arrumam trabalho, se casam e criam filhos na nova nação.
Além desse detalhe da assimilação racial o que vemos também é que com o acúmulo dessa gente que vem de fora para se instalar em uma terra diferente da sua, que são acostumados a dominarem um outro idioma, a ouvirem outro tipo de música, a comerem outro tipo de comida e a apreciarem outro tipo de arte, isso acaba fazendo com os naturais da terra fiquem influenciados pelos seus gostos, pela sua arquitetura, sua vestimenta, religião e muitas coisas mais que são as responsáveis por caracterizar um povo e uma nação, perdendo assim suas caraterísticas próprias. Por isso ainda existe muita força contrária no mundo tentando impedir a globalização.
Mas na verdade as coisas tem de ser assim. No princípio era assim. Quem criou estados, fronteiras e bandeiras foi o homem, motivado por idomas díspares.
DETALHE: A divisão das linguas, chamada a confusão da Torre de Babel, só deu-se por causa da soberba da humanidade. Ainda somos um só mundo e um só povo: a raça humana.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Neste conturbado cenário, alguns Reinos Espanhóis sofriam com a presença de Muçulmanos que entravam pelo sul dos Reinos vizinhos. A cidade de Córdoba era o exemplo típico disso, fazendo-se conhecida então como o centro do domínio Muçulmano Europeu. Tudo lá fazia lembrar um centro do Islã. As primeiras invasões deram-se no ano de 711, vindas praticamente de tribos do norte do Marrocos e do Egito. Através destas primeiras incursões os Muçulmanos instalaram-se em outras importantes cidades como Sevilha, Toledo e Salamanca. E com isso eles acabaram espalhando construções de todos os tipos, tais como Palácios, prédios e Universidades com suas características tradicionais.
Já no recém criado Reino de Portugal, depois da conquista de Lisboa em 1147, através de onde saiam em grandes frotas para a Terra Santa, os cruzados deixaram profundas marcas. A frota de duzentas velas, que transportavam cruzados de várias nações, tais como Alemães, Normandos, Flamengos e Ingleses, ajudaram D.Afonso Henriques a dominar a cidade para saqueá-la. Depois da tomada de Lisboa muitos cruzados acabaram ficando por lá, fixando moradia e deixando os exércitos enfraquecidos. Até mesmo os cruzados vassalos, desertores do Rei Ricardo Coração de Leão, estavam agora ajudando ao Rei de Castela, Sancho I, á guardarem as cidades de Santarém, Torres Novas e principalmente os acessos á Tomar, preocupados com a invasão dos Mouros que aumentava consideravelmente.

sábado, 23 de maio de 2009

Uma oportunidade...


A escada da ascenção econômica é árdua. Subir na vida pelos peóprios méritos, com dignidade e descência, é algo que poucos conseguem. Muitos tentam, mas realmente o acesso é concedido á poucos sortudos.
Certa vez tentei entrar em contato com uma escritora já estabelecida no mercado literário. O caminho parecia, á princípio, que não ia ser muito difícil não. Ela é conhecida de um amigo meu. Portanto, já que também escrevo livros, resolvi estreitar os laços para me fazer conhecer, e quem sabe, aprender e receber importantes dicas. Mas para minha frustração ela, a tal escritora conceituada, nem me deu bola e nem ao menos respondeu o meu e-mail. Isso me marcou bastante, já que ela havia dito á este meu amigo que entraria em contato comigo. Bem, vai ver que ela se esqueceu...
E pior que é assim mesmo. Quando ainda não se é ninguém, quando não se é famoso, quando não se tem uma reputação e um nome consolidado no mercado quase ninguém quer parar para ouvi-lo, quase ninguém quer lhe dar uma oportunidade. E isso acontece em todos os ramos e em todas as atividades comerciais. Um recém formado em qualquer área profissional sofre este mesmo tipo de preconceito. Um novo vendedor ou fabricante que quer entrar com o seu produto no mercado passa pelas mesmíssimas dificuldades. Parece que querem que só subamos as montanhas feitas de pedra e rocha, como escaladores, para que possamos apreciar a natureza...
No meu caso, para se conseguir uma audiência com um editor de renome, com uma editora conhecida e estabelecida, é extremamente penoso e sofrido. Tenho passado por diversos percauços e impedimentos. Todos colocam barreiras na frente:"Ah, tem que falar com fulano." Ou: "Ah, tem que ter isso e aquilo." E ainda:"Ah, tem que pagar tanto, tem que registrar, tem que esperar tanto tempo, tem que, tem que, tem que..."
Dai você fica na fila e os próximos degraus ficam sempre mais distantes de serem atingidos.
Não vou aqui ser duro ou vingativo, mas uma coisa fixei para mim mesmo. Se um dia, um dia, eu conseguir sobrepujar tais dificuldades impostas, e atingir o topo, só darei valor para aqueles que me deram valor enquanto eu ainda tentava subir. Isso pode ser considerado um desabafo. Um desabafo de alguém que sabe que tem capacidade, qualidade e inteligência. Capacidades não acima da média, não para menosprezar ninguém, ou para me achar melhor dos que ai estão, mas simplesmente para também expor aquilo que sei e que aprendi ao longo da vida. E olha que não aprendi pouco...
Então, de forma genuína, ousada, verdadeira e dedicada ainda pretendo prosseguir, quero prosseguir e vou prosseguir. Que estas palavras sirvam de incentivo para os que estão vivenciando a mesma coisa, e que portanto, estão no mesmo barco.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Foi-lhe permitido subir até aqui para falar comigo. Ouvi calmamente o seu pedido. Agora quanto á falar com Vittini eu já lhe falei que ele está doente e...
Neste mesmo momento surge no amplo corredor um dos Bispos que desferiram a condenação á Enzo, quando de sua prisão.
- O que está havendo Padre? E quem é esse aí em lugar não autorizado? - Indagou o Bispo Giuseppe Florentino.
- Não se incomode Bispo, esse é Bonifácio, filho de Boullon. Foi-lhe concedido permissão para vir falar comigo. Apenas o que ele me pede é inconcebível no momento.
- E o que você queria meu jovem? - Perguntou o Bispo, acrescentando logo em seguida, - Por acaso era falar com o Cardeal em particular?
Bonifácio o reconhecera imediatamente.
- Senhor, eu venho tentando uma audiência com o Papa á algum tempo, e isso só terei se um Cardeal me autorizar ou representar meu pedido. Agora que estou aqui, e tento falar com o Cardeal Vittini, também sou proibido! Como conseguirei tal audiência?
O Bispo ficou relutante e pensativo. Depois de uma breve análise disse:

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O banquete


Esta semana houve o anúncio da fusão de duas grandes empresas do gênero alimentício. Os presidentes da Sadia e da Perdigão apareceram diante da imprensa para comunicarem o fato. Eles disseram que nada mudará. E se porventura mudar alguma coisa será para melhor. Pois pretendem - palavras deles - melhorar a qualidade de seus produtos, aumentar a produção e a diversificação, manter os preços sem aumento e competitivos no mercado interno e externo, e mais, sem executarem nenhuma demissão no quadro de funcionários. Ou seja, de agora em diante, após esta união empresarial, a mortadela, o chester, o presunto e outros derivados que você costuma levar para sua casa, para enriquecer a alimentação da sua família, ficarão ainda melhores, com mais qualidade, com mais variedade, com preços mais acessíveis, e além de tudo sem colocar nenhum pai ou mãe de família no olho da rua. Acreditou? kkkkkkk... Nem eu...
Sempre quando vemos notícias de empresas do porte da Sadia e da Perdigão realizando esse tipo de operação fica claro o seguinte: que o objetivo que buscam são principalmente dois:
1) Baixar custos e despesas. Isso inclui aluguéis, impostos, fretes, pedágios, custos de produção e de entrega, luz, água, e principalmente folha salarial.
2) Monopolizar o mercado. Isso refere-se que, trocando em miudos, anseiam eliminar qualquer tipo de concorrência, querendo com isso aumentar as exportações para também poderem ditar a regra sobre o preço de seus produtos internamente.
Portanto nada do que disseram é a verdade. O preço do que produzem tende a aumentar. E nem por isso a qualidade será obrigada a sofrer qualquer melhora. O que é certo mesmo são as demissões que este conglomerado irá provocar.
Isso sim não é nenhuma novidade. Já vimos isso outras tantas vezes acontecer. São as chamadas fusões corporativas. Aconteceu com a Ford e a Volks, com a Brahma e a Antarctica, a Time Warner que se uniu com á AOL, a Chrysler com a American Motors, etc. Dizem que é culpa da crise mundial. Pode até ser... Só que quanto mais isso ocorrer mais ainda faltará emprego, e principalmente faltará comida na mesa de mais e mais cidadãos.
Será então, lamentavelmente, cada vez mais raro vermos uma mesa "regada" com um delicioso banquete.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
A refeição foi apresentada. Funcionários da instituição encarregaram-se de servir todos os pratos. Carnes de várias espécies de animais, tais como javali, carneiro, faisão e porco foram postas á mesa. Legumes e ovos foram colocados em grandes bandejas para que todos comessem com fartura. Parecia, em parte, com as reuniões no Castelo. Taças de vinho foram servidas para todos os convidados. Era vinho vindo das melhores regiões de Castela. Até mesmo o vinho de pêra, comum apenas para crianças, era servido pelos mesmos empregados através de enormes cântaros.
Uma verdadeira festa Real estava armada.
Rápidas taças daqueles vinhos foram rapidamente ingeridas por alguns participantes. Nem parecia que, sentados ali, estavam três dedicados rapazes, através de muito isolamento e orações, tentando se esvaziar da concupiscência do mundo para adquirirem maior espiritualidade, a fim de enfrentar as tentações e provações da vida externa. Pois rapidamente perdiam o rumo durante aquele banquete. Félix ajudara a providenciar aquela enorme abastança para que os meninos relembrassem dos tempos em que viviam com ele em Caleruega.

domingo, 17 de maio de 2009

O quinto mandamento


Um certo Rei, em seu castelo, resolveu questionar o Deus dos Judeus. Então mandou que um empregado seu entrasse na sua presença e lhe dissesse alguma coisa, um código, ou leis do tal Deus posto em questão. Ele então, obediente ao amo, começou a ler em alta voz:
"Eu sou o Eterno, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa dos escravos. Não terás outros deuses diante de Mim."
Então o rei Egipcio comentou:
- Ah, isso é bem óbvio. Nenhum deus Egipcio gosta que seus súditos sirvam á outros senhores também. Mas prossiga.
Então o empregado leu o segundo mandamento:
"Não farás para ti imagem de escultura, figura alguma do que há em cima nos céus, abaixo da terra e nas águas debaixo da terra..."
Ah, - pensava o Rei, - isso também qualquer dos deuses do Egito também exigem, que não construam outras imagens além da existente...
"Não jurarás em vão em nome do Eterno, teu Deus, porque o Eterno não livrará ao que jurar em vão pelo Seu Nome."
Ah, nenhum deus do meu reino também gosta que seu nome seja desonrado...
"Lembra-te do dia do Shabat para santificá-lo. Seis dias trabalharás e farás todas tua obra..."
Ah, isso também é bem normal. Qualquer deus tem o seu dia preferido de culto...
Mas quando o empregado leu: "Honrarás a teu pai e a tua mãe..." O Rei sobresaltou-se de sua cadeira e interrompeu a leitura dos dez mandamentos:
- Espere, espere ai! Que Deus é esse que põe alguém comum em pé de igualdade? Ah não, nenhum deus daqui do Egito aceitaria o que esse Deus dos Hebreus aceita! Jamais irão dividir os seus tronos com um mortal!
Moral da história: Somente um Deus soberano, que reina de eternidade áfora, é capaz de tal atribuição. Pois não teme dividir o respeito que tem de seus súditos com seres naturais, carnais e imperfeitos como os nossos pais. A construção da família como célula mater foi idéia do Criador.
Por isso honrar pai e mãe é acima de tudo agradar a Ele, o Criador dos céus, da terra, do mar e de tudo o que neles há. Filhos sem uma boa criação é o mesmo que gente sem raiz. Pois o ensino deve passar de uma geração á outra. Ou como diz o salmo: "Teus filhos sucederão teus pais, como líderes por toda a terra. Em todas a gerações lembrarei Teu nome e eternamente hão de Te louvar todas as nações."
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Por favor, Asebes, chame-o, - disse Félix interrompendo-o, - é o último favor que lhe peço. Pela nossa grande amizade, pela confiança que há entre ti e meu irmão, faça isso. Joana não suporta mais viver sem seus filhos ao seu lado. Ela não teve coragem de vir até aqui e ser desprezada novamente.
Félix fez uma interrupção em sua colocação para chorar.
O céu estava totalmente encoberto. Nuvens espessas cobriam o firmamento. As águas não cessavam de cair sobre a grama do jardim.
- Sente-se e procure se acalmar. - Disse Asebes.
A distância de onde estavam para a família Garcia não era grande. Uma extensão de bancos enfileirados pelo corredor era o que tinham para separá-los, mas em tom bem baixo, aquela dramática conversa não podia ser ouvida. Félix era a figura de um pai abandonado pelos filhos, trocado pela Igreja. Em sua comovente tentativa de convencer o Reitor á aceitar a proposta, falou assim:
- Meu filho mais velho, o Antônio, nós o vemos de vez em quando,... Sempre que ele deseja ir nos ver, é claro... Manes Gusmão já faz quase igual ao outro, quase não nos visita mais. Nestes últimos dias o que temos deles são cartas... Tudo isso por que são influenciados pelo caçula... Desde aquela terrível visita que fizemos aqui nunca mais o vimos. Parece que ele nos abandonou de vez.

sábado, 16 de maio de 2009

A carta


Como era demorado e entendioso se comunicar com alguém de longe, hein? Mesmo não sendo tão velho assim me lembro bem da dificuldade que tinhamos para enviar uma mensagem para um parente, uma namorada ou um amigo qualquer. Demorava dias até que a tal carta pudesse chegar no endereço solicitado. Depois levava outro tanto até que a pessoa lá de longe pudesse te responder. Enfim era um tédio muito grande, mas ainda assim tinha seus atrativos. O suspense, a emoção em poder abrir o envelope, o conteúdo da mensagem... Humm, era bom. Se fosse uma carta de amor então, oh! Dai o coração acelerava e quase que se derretia. Pena que isso não ocorria com frequência...
Era comum, na época, receber cartas antes e durante o natal e próximo ao ano novo também. Quando alguém então fazia aniversário dai lá estavam elas novamente, as correspondências escritas de papel e caneta, alegrando quem as recebia. Era um tempo nostálgico. Recordo-me que aqueles que não recebiam nenhuma mensagem ficava largado pelos cantos, triste e abandonado. Era o mesmo que não tivesse nenhum amigo ou quem gostasse dele. Comigo mesmo isso se passou diversas vezes. Era triste ver que meu aniversário tinha chegado e que ninguém tinha lembrado de mim. Também, naquela época, eu praticamente não escrevia para ninguém... Então recebia o que dava, ou seja, nada! Ainda bem que os tempos mudaram e hoje me comunico com pessoas de diversos lugares ao redor desse mundão de Deus.
Se levarmos em consideração as transformações pelos quais todo tipo de serviço sofreu os correios ainda são os heróis da resitência, pois perduram em nosso meio. Eles realizam o mesmo tipo de serviço, trazendo e levando mensagens sutis, sigilosas ou de paixão, como a trinta, quarenta ou cinquenta anos atrás. Atualmente eles contam com o sedex, que agilizam um bocado nesse tipo de operação. Mas nem de longe se compara com a velocidade da tecnologia eletrônica que temos atualmente.
O e-mail, a carta virtual, revolucionou e acelerou as comunicações entre as pessoas. Ninguém mais precisa dizer que tem preguiça de ir á uma papelaria, comprar papel de carta e envelope, escrever uma "mini-redação" para quem você queria falar, e ir até uma agência de correios para enviá-la, pagando por isso, e depois esperar até obter o resultado. Tudo evoluiu. Você agora não precisa ficar mais tristonho esperando pelo carteiro bater em sua porta, trazendo consigo uma carta, uma carta de alguém...
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Já leu as cartas? - Félix indagou para Joana, assim que foi informado que as correspondências haviam chegado.
As amigas já tinham ido se deitar. Joana estava sozinha no grande salão.
- Sim. - Respondeu ela secamente.
- E como eles estão?
- Bem.
- Bem? O que mais disseram?
- Pegue e leia você mesmo.
Ela que não anda nada bem... Tem misericórdia, oh Deus!
Enquanto Félix sentou-se em sua poltrona para ler o conteúdo das duas cartas que seus filhos lhe enviaram de Gumyel, Joana voltou a entreter-se com o tear.
A fabricação de tecidos era obra das mulheres. Depois de tosquiada a ovelha e colhido e tingido a lã, pelos camponeses, a tarefa ficava á cargo das suaves e dóceis mãos femininas para fiar, tecer e bordar. Nas regiões da Normandia, Flandres e Champagne, todas na Gália, vinham os melhores tecidos produzidos para serem comercializados nas feiras dos demais Reinos. Mas ali em Caleruega, Joana e suas amigas faziam também com que seu trabalho fosse reconhecido pelos mercadores. Isso era seu único e atual prazer.
Coitada, é isso que ainda á faz viver. Pensava Félix, enquanto abria as mensagens. Era doloroso vê-la trabalhando até altas horas da noite.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Mestre?... Mestre?...


Tenho estudado muito sobre o comportamento humano em relação a fé e a religião. A história nos mostra, relatando fatos e acontecimentos, de como o homem vem se moldando, se modificando e se aperfeiçoando ao longo dos tempos. Muitos Impérios já surgiram e desapareceram. Com eles também as suas religiões. Onde está hoje a religião dos Sumérios? E a dos Cananeus? etc. Antigas crenças que desapareceram com o passar dos anos.
Acontece que outras religiões, algumas mais antigas e outras nem tanto, para não sumirem da mesma forma, se adptaram aos costumes e as culturas e assim perduram até os dias de hoje. A vida tem sido constituida dessa maneira. Os "espertos" se macomunam, fazem aliança, acertam tratos e permanecem um pouco mais...
Mas para haver religião é preciso que haja um líder, um mestre. Todas estas formas de crença e de fé tem ou tiveram um líder eloquente e convincente. Natural e óbvio que seja assim. Alguém tem a idéia e os adeptos veem depois atrás.
Não quero aqui "meter o pau" em formas distintas de fé. Cada um tem o direito de acreditar no que quiser. Minha função aqui é esclarecê-lo até o ponto em que você me permitir que o esclareça. Por isso me ouça.
Em um documentário acompanhei a trajetória de um desses líderes destas seitas que surgem a cada dia no mundo. O sujeito se apresenta e prega como se fosse um salvador da humanidade. Como se já não bastasse os tantos postuladores a salvador do mundo, humm... Mas o que me espanta e chama a atenção é que ele, ainda assim, consegue arrebanhar súditos! Em minha cidade ocorre também o mesmo. Tem um doidão desses andando por ai, de roupa larga, estilo saião, estilo roupa medieval, estilo hábito dos Padres, e que infelizmente - digo por mim - ele consegue alavancar seguidores e fiéis para o seu rebanho! É loucura? Não sei, vá dizer isso para os fieís que acompanham esses "iluminados homens". Tem no sul do País o tal de Inri Crito, que volta e meia aparece em programas de televisão. Esse então é uma comédia. Mas mesmo sendo uma comédia também consegue rebocar "ovelhas para o seu rebanho".
Em São Paulo surge duas Igrejas a cada dia! Cada uma delas com um novo candidato a Bispo, Bispa, Pastor ou sei lá o que... Será que não basta os templos e os líderes que já existem? É, parece mesmo que todo mundo quer ter alguém para chamar de mestre...
Por isso aviso: Tome cuidado com essas religiões que são baseadas em um único sujeito que diz ter tido uma "revelação" ou "que Deus falou com ele", etc. Deus se manifesta para o coletivo e não para um homem só. Aprenda isso definitivamente, se é que esse conselho lhe é útil.
Essa miscelânia religiosa que vemos hoje em dia é proporcionada justamente por causa dos espertalhões, e as custas dos bobalhões que se deixam levar por qualquer vento que vem e que depois irá passar...
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Santo Agostinho, como era chamado pela Igreja, tinha elaborado teses logo que se iniciou na vocação de Monge. Nascido por volta do ano de 354, na Argélia, ele deixou como resumo de sua obra teses do pecado original, da conciliação entre a fé e a razão, do conhecimento natural de Deus, além de citar sobre a necessidade da graça para a salvação do homem e a presença das imagens da Trindade no Universo. Sua influência foi dominante por toda a Europa Ocidental.
Já São Bento viveu em Núrsia, cidade encravada nas montanhas á nordeste de Roma entre os anos de 480 á 547. Suas regras baseavam-se em dois pontos principais; a paz e a reza na obediência do trabalho clerical. Mas não era só isso. Estas regras eram compostas de setenta e três capítulos chamados pelos submissos Monges de “as regras do Mestre”. Ela servia para dirigir os costumes dos que á obedecessem, instruindo-os como deveriam se comportar. Como, por exemplo, os tipos de Monges á serem escolhidos, os Abades e seus afazeres.

domingo, 10 de maio de 2009

Mão amiga


Existe várias formas e maneiras de se pedir por socorro. A mais clássica de todas é gritar mesmo. Ainda mais quando se está correndo algum perigo de vida. Mas existem outros jeitos.
Quando vemos alguém vendendo balas nos sinais de trânsito fica claro para muitos que aquela pessoa quer trabalhar, não tem oportunidades, e por isso recorre á esse tipo de exposição. Ela quer vender seu produto sim. Precisa arranjar algum sustento para levar para sua família. Mas no fundo, no fundo, se você tiver coragem de perguntar, e ela tiver ousadia de se abrir, você verá que o que ela precisa mesmo, e quer, é uma ajuda, um auxílio, um socorro para sua desesperada situação.
Assim também o é com aqueles meninos e meninas que fazem malabarismos de circo nas ruas e nas calçadas. Ou com aqueles que veem até a porta de sua casa para oferecer produtos dos mais variados possíveis. Todos esses, e muitos outros, na verdade não precisam de esmolas, e sim de apoio, de emprego, de socorro...
Um amigo meu, inferiorizado na vida até este momento, quando indagado pela a sobrevida que leva, costuma dizer: "- Nem todo mundo tem ou teve as mesmas chances."
É verdade. Nem todos conseguem visualizar ou conhecer alguém que esteja a fim de ajudá-lo a sair do buraco.
É comum vermos nos dias de hoje muitos desses desgraçados e desfavorecidos, praticamente entregues ao Deus dará, terem chegado á esse estágio por erros em sua própria caminhada. Cometeram deslizes imperdoáveis e agora estão jogados, descriminados, descartados e condenados á um fim miserável e infeliz. Mas também é comum vermos pessoas cultas, com diplomas, inteligentes, autamente capazes e ainda em fase produtiva já sendo totalmente excluidas do mercado de trabalho e sem chances de recolocação. Ambas, tanto as que erraram e são até certo ponto incapazes, quanto as que possuem algum grau diferenciado, merecem e clamam por socorro e ajuda.
Isso é o que eu costumo chamar de prisão do capitalismo. Sem emprego, sem profissão e sem dinheiro apenas teem a sepultura diante de si. Isso caso algum parente puder pagar. Portanto feliz é aquele que tem onde recorrer. Sortudo mesmo é quem encontra uma mão amiga estendida.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Este blasfemo permanecerá preso tempo suficiente e receberá o castigo necessário para que aprenda a não desafiar a Igreja! - Disse um dos Cardeais responsáveis pela prisão de Enzo.
E assim foi feito. O rebelde Enzo Strozzi se tornou, á partir desse dia, um encarcerado.
Bonifácio pensava na enrascada que se metera ao ter prometido á Boullon, seu pai, que cuidaria de seu amigo.
Meu pai não me perdoará por não ter conseguido impedir a prisão de Enzo.

Andando de um lado para o outro impacientemente, assim estava Bonifácio, agora em sua casa.
Só daqui á algumas semanas é que me concederão uma audiência com o Papa, meu Deus... O que farei até lá? Boullon está no Oriente e nada poderá fazer por ele. Enzo não pode ficar todo este tempo detido naquele cárcere... Tenho que fazer alguma coisa...
A mãe de Bonifácio observava a impaciência e desespero do filho. Taças e mais taças de vinho eram ingeridas, mas ela não tinha coragem de aproximar-se e dizer qualquer coisa. Na mente do jovem Bonifácio passava a clara imagem de seu pai aconselhando-o para que evitasse que Enzo Strozzi cometesse alguma bobagem:
“Enquanto eu estiver fora, acompanhe ele onde quer que vá. Impeça-o de cometer alguma asneira, faça isso por amor á mim, certo?”

sábado, 9 de maio de 2009

Corrupção: O mal que corrói...


As cruzadas foram basicamente uma disputa militar na Terra Santa. Cristãos da Europa se juntaram para expulsar os Muçulmanos de lá, através do uso da força. Muita coisa ilícita, ilegal, inescrupulosa e de baixa classificação foi realizada nesse interím. Houve traição, mentiras, corrupção, mortes de inocentes, ganância exacerbada, casais destituidos, etc... Mas não foi somente nos embates entre as cavalarias opostas que muitas dessas coisas horrendas foram praticadas não. Já durante a convocação desses mesmos pelotões havia tais práticas entre os próprios comandantes e generais.
Corruptores e corrupção. Cada um queria tirar vantagem do seu jeito.
Para quem pouco sabe da história, vale á pena lembrar que foram nove cruzadas Européias. Sendo que destas nove apenas uma não alcançou o Oriente, ficando em lutas dentro do próprio continente, matando cidadãos de Paises vizinhos e roubando e espoliando todos os seus bens.
E politicamente falando, não há País no mundo que suporte muitos anos seguidos de corrupção, desmando e mentira. Não há um regime sequer que seja capaz de suportar escândalos e mais escândalos subsequentes, sem que sofra alguma grave consequência por causa disso. Não quero ser aqui o profeta do caos e do desespero. Não. É apenas constatação.
Natural é que as classes mais baixas da sociedade queiram, de uma maneira ilícita, avançar alguns degraus para sair da miséria. Natural também é que essas mesmas classes inferiorizadas abraçem qualquer tipo de "oportunidade" para sobreviver com mais dignidade. Mas o que não é natural, e nem admissível, é ver tais comportamentos no meio da liderança desse mesmo povo. Se seu Rei é ladrão, como seu súdito não o será? Se seu líder, ou governante, ou presidente, ou ministro, ou senador, é um constante frequentador das páginas de jornais, promovendo práticas ilícitas, mentindo e enganando, tirando vantagens, só se dando bem na roubalheira, como você, cidadão comum, poderá ser algo de melhor? Em quem você irá se espelhar? O exemplo tem que vir de cima.
Talvez nos falte justamente isso: Alguém em quem possamos nos orgulhar de poder copiar.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Para adquirir voluntários que o acompanhasse, o Rei Ricardo teve que despender enorme quantia antecipada de dinheiro. O motivo disso foi que, como havia carência de bons soldados, teve então que instigar, atrair diversos homens pela própria cobiça deles. Isso fez com que ele trocasse o feudo por dinheiro como pagamento para estimular possíveis voluntários em uma luta tão distante. Então, mercenários de todas as partes vieram alistar-se a fim de adquirir fortuna. Muitos destes, principalmente os que haviam vindo da Província de Aragão, e também de Navarra, ambicionaram bastante abastança. Só que ao invés de capturarem os inimigos, durante o trajeto, promoveram matanças, flagelos, sacrilégios e crimes de toda espécie, perturbando a ordem de seu pelotão. Furioso, Ricardo Coração de Leão mandou degolar o pescoço da metade de um bando destes mercenários baderneiros. Já uma outra parte, que também o acompanhava e fazia as mesmas balburdias, teve seus olhos furados e foram deixados pelo caminho.
E não só isso Ricardo Coração de Leão fez de ilícito. Uma outra séria coisa começava a lhe pesar sobre seus ombros e consciência. Anos antes de ser convidado á aceitar o pedido do Papa Gregório VIII, e sair dos territórios da Inglaterra para esta cruzada, ele divulgou uma notícia caluniosa que causou tremenda confusão em seu Reino.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Residência oficial


Diz o ditado, em outras palavras, que ir á Roma e não ver o Papa é o mesmo que não ter ido. No Vaticano, o centro do poder religioso Católico, você e qualquer turista poderá ter esse privilégio de ver o Pontífice, se assim o considera e quer. Mas não foi sempre nesse lugar que o poder religioso se sentou e ditou as ordens sacramentais.
Séculos antes, o Papa, os Bispos e os Cardeais se reuniam na Basílica de Latrão. Uma construção magnífica e grandiosa para a época, com acomodações e muito conforto para todos do Clero Romano. Foi desse portentoso prédio que partiram as ordens para os cruzados se dirigirem ao Oriente e lutarem pela Terra Santa contra os Muçulmanos. Latrão era, por assim dizer, a residência oficial do lider da Igreja. O principal lugar. O mais venerado. O lugar mais bonito, mais luxuoso e também o mais suntuoso que podia haver na época. Assim era também com os Reis e as Rainhas. Eles eregiam seus grandes Castelos, suas fortalezas, com seus fossos, portões, altos muros e muitos soldados de prontidão e vigilância. Todos, líderes eclesiásticos ou não, gostavam de ostentar riqueza e poder, morando em belíssimas construções ás custas dos pobres e necessitados.
A história mostra que sempre foi assim. E ainda hoje é assim.
Conheço uma pessoa, na qual considero minha amiga, que diz:"Quando alguém chega no poder e se senta na cadeira real, no trono, parece que abaixa um "santo", e dai o sujeito muda completamente, passando de humilde para arrogante na mesma hora."
Ela deve ter algum tipo de razão em dizer isso. Pois se não fosse assim os líderes de origem humilde, vindos da pobreza, teriam feito alguma coisa para mudar esse gritante quadro de desnível social em nossa sociedade.
E exemplos não faltam: Na Polônia foi Lech Valessa, um ex-operário que se tornou presidente daquele País, criando o SOLIDARINOSK, mas que depois sumiu e nada mudou. Na África do sul foi Nelson Mandela, ativista, sabotador e guerrelheiro, praticamente considerado um terrorista, que se tornou também Presidente de seu País e até ganhou um prêmio pela paz, lutando pelo APARTAIT, mas que no fundo as diferenças raciais mantiveram-se na mesma. E aqui no Brasil foi o Lula. Ex-lavrador, ex-torneiro mecânico, e que depois, de tanto tentar, acabou chegando no poder para quase nada fazer, criando apenas o BOLSA FAMÍLIA, e mantendo os pobres na mesmíssima pobreza e quase mendicância.
Você meu amigo, que mora em uma casinha simples, agradeça a Deus pelo que tem, pois se esperar pelos homens nem mesmo ela restará.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
No topo da construção viam-se as estátuas de mármore dos Apóstolos de Jesus, sendo três de um lado, outros três de outro e mais quatro próximos ao centro. Sobre um altar mais elevado destacava-se a figura do Apóstolo João segurando uma cruz. A obra havia sido feita em homenagem, tanto para o Apóstolo, quanto á João Batista, aquele que batizou á Jesus. A Basílica tinha sido construída por Constantino na colina de Latrão, por volta do ano 311 e 314, e servia agora como local do trono Papal, sendo considerada, em importância, acima de todas as outras Igrejas.
Os primeiros quatro Concílios Ecumênicos da Igreja haviam sido nela realizados. De grande História para o Catolicismo, a Basílica passou por uma destruição no ano de 896, sendo reconstruída em 904, durante o Pontificado de Sérgio III. Sua localização ficava ao lado do Palácio Lateranense, que era a residência oficial do Sumo Pontífice.

domingo, 3 de maio de 2009

Péssimas noticias


Tenho andado revoltado, e porque não dizer desanimado, com os telejornais. Quando ligo a TV e sento diante dela para assistir o jornal das oito o que vejo são os apresentadores e repórteres lançando notícias ruins na minha cabeça. E dai eu rodo os canais á procura de boas notícias e nada. Em todas as emissoras é a mesma coisa: péssimas notícias em tudo quanto é canto do mundo, - me induzem a pensar.
Eu não preciso ficar aqui repetindo o que eles dizem, pois todos já sabem de cor e saltiado. Porque na verdade mostram os mesmos "furos jornalisticos" para a população inteira. São as piores tragédias e mazelas da humanidade que invadem a nossa casa todas as noites. É triste. É de desanimar mesmo. Se um sujeito estiver deprimido basta assistir um desses programas para cometer um suicídio, de tão drástico que é.
Existem pessoas que são assim também. Não conseguem dizer nada de bom. Só contam histórias macabras ou maléficas. Vai ver que é por causa da influência que sofrem da televisão.
Por acaso você sabia que em Paises do Oriente Médio já se consegue tirar água do ar?
Eu não falei asneira não, é isso mesmo. Em lugares tremendamente áridos a água está sendo extraida do ar úmido das noites no deserto! E isso você assiste na TV? Obviamente que não. E por que não? Porque não dá ibope. O povo gosta de tragédia.
Aproveitando-se disso a imprensa valoriza ainda mais certos temas ditos da moda. A gripe do porco é um exemplo disso. Antes só falavam da crise mundial. Era crise para cá, crise para lá, etc. Agora não. Só se fala na tal gripe... Talvez seja por isso que as pessoas andem tão pessimistas e derrotadas. Sua "fonte de inspiração" - a TV - só lhes traz angústia e dor com as péssimas coisas que dizem.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- As coisas por aqui têm estado ruins assim desde que cheguei. Aliás, antes da minha vinda para cá as notícias já não eram tão boas. Com o passar do tempo pioraram ainda mais. - Disse Valdivas depois de introduzir Frederico Fresi e seus companheiros na pequena Igreja do Hérault.
A construção precisava de reformas urgentes. As paredes eram sujas e desgastadas. O chão tinha buracos e era igualmente mal tratado. Os poucos bancos de madeira soltava lascas e apresentava sinais de que os cupins faziam moradia. A Igreja não tinha condições de pagar um ou dois funcionários para a limpeza.
Padre Valdivas serviu uma humilde refeição de pães com café, após ter feito com que o grupo se alojasse.
Frederico e o restante dos visitantes comiam e observavam a má conservação da Igreja.
Depois disso Valdivas refletiu um pouco na situação em que se encontrava e só então disse:
- Há muito tempo que não se consegue encher uma Igreja por estas bandas! Parece que o povo não quer mais os santos sacramentos... A Santa Madre Igreja vai ter um enorme trabalho de evangelização para realizar aqui. Será preciso muitos pregadores e muito tempo para que este povo se converta.

sábado, 2 de maio de 2009

A vereda


Sempre quando nos propomos a fazer uma viagem uma das coisas que temos de ter em mente é o intinerário que devemos pegar. Qualquer que seja o local que quisermos ir, embora isso possa parecer bem óbvio, teremos que memorizar qual o caminho, qual a vereda certa a seguir. Para muitos isso é feito quase que inconscientemente. Por isso mesmo tratam este tema como uma coisa já assimilada, óbvia, sem mistérios e extremamente comum.
Mas será que esses mesmos sabem que cada viagem, cada passeio, cada mudança de endereço e cada novo lugar onde irão repousar os seus pés é um caminho diferente em suas vidas, repleto de mistérios e coisas desconhecidas? Será que já se deram conta que até mesmo nesta experiência, e principalmente nessa experiência, é que se pode tirar preciosas lições?
Novas pessoas, lugares, construções, ruas, modo de vida, costumes, roupas, clima, comida, bebida e idioma, entre tantas outras coisas, poderão se apresentar diante de você, fazendo-o sentir-se pequeno demais. Quem já teve a oportunidade de viajar para um outro País sabe bem o que quero dizer.
O ser humano vive em constante aprendizado. Uma escritora até chegou a dizer:"O dia em que pararmos de aprender algo é porque morremos."
Isso vale para tudo na nossa vida. Quer seja uma caminhada, uma refeição, um trabalho, uma amizade, enfim tudo em que nos relacionamos, nós, eu e você, temos de estar aptos e atentos para cada ensino. Por isso precisamos de uma direção certa. Precisamos visualizar algo novo á nossa frente. É o mesmo que ter um objetivo, um alvo, uma direção. Não tenha medo do diferente. O diferente pode ser belo e interessante.
Sair de um lugar fisico e chegar ao outro pode parecer bem simples e natural, mas sair de um estágio intelectual para ultrapassarmos a fronteira imaginária do saber é um passo e um caminho ainda maior. Apesar de que todo caminho central tem suas variantes, encruzilhadas, riscos e atalhos.
Portanto abra sua mente. Adquira conhecimento. A vereda está mais adiante e temos de prosseguir rumo ao encontro de...
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Atravessaram todo o Oeste dos Reinos e Condados Romanos em uma dura jornada até que chegaram aos limites do Reino Gaulês. Começaram então, passando pela Província do Ródano sem o menor incômodo. Esta era uma região muito bonita, também chamada de Alpes Franceses, lugar de gente cordial e pacífica. Seguiram descendo pelo caminho mais ao sul em meio á muita neve. As estradas eram tortuosas. Á princípio aquela vereda não parecia querer levar á lugar algum. Havia enormes desfiladeiros. A brancura que se fazia por sobre o cume das montanhas, incrementado pelo caminho repleto de árvores secas ao redor e uma vegetação rasteira e densa que resistia ao frio, compunha a encantadora paisagem.
Os cavalos trotavam devagar. Os viajantes admiravam a beleza do local. Ao atingirem a planície atravessaram a região da Sabóia e depois o Isére. O território do Drôme foi a outra escala a seguir, chegando por fim á Província de Ardéche.
- Afinal de contas, onde estamos indo Senhor? - Perguntou o Padre Giordano, da Paróquia de Virtebo, cavalgando do lado do Cardeal Frederico Fresi.
- Já ouviu falar no Languedoc? - Disse o Cardeal.
- Sim, algumas vezes.
- Então, é para lá que nós vamos.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Quer passar? Então pague!


Você sabia que pedágio é uma coisa bem antiga?
Fazendo algumas pesquisas para elaboração deste romance deparei-me com algo inusitado. Já naquele tempo havia uma verdadeira imposição na cobrança de pedágio. Os trechos onde o viajante podia trafegar com mais segurança era justamente aquele onde havia sentinelas e pedágio. Nesses acessos, onde as ruas eram calçadas, as pontes eram mais firmes, e os perigos eram mantidos á distância, é que se cobravam os soldos. Isso era ato comum nas terras do senhor feudal - aquele que detinha o poder de uso da terra - pois, qualquer estranho (visitante, turista ou vizinho) que tentasse atravessar as demarcações limítrofes, eram então obrigados a pagarem um soldo - valor em dinheiro - para os homens que faziam a guarda.
É claro que a trezentos, quatrocentos, quinhentos anos atrás não se tinha os dispositivos tecnológicos que se tem hoje em dia. Não havia radares, nem faróis ou sinais luminosos, cancela eletrônica, câmera de vigilância, etc. Também não se tinham tantos usuários assim, como nas estradas municipais e federais do nosso País. As estradas também não eram asfaltadas como as nossas. Até porque os "carros" da época iam abanando o rabo e defecando pelo caminho.
Mas ainda há uma outra grande diferença que eu gostaria de registrar.
Quem cobrava as taxas de pedágio não era um Rei, um Papa ou um outro Monarca. Quem cobrava e recebia o dinheiro dos transeuntes era o próprio dono das tais terras. Essa diferença pode parecer pequena, mas não é não. E digo porque. O que esse Vassalo, esse senhor feudal, fazia com este dinheiro? Quanto cobrava? Como cobrava? Qual o critério que utilizava para impor seu preço? Todos pagavam a mesma quantia?
É claro que não. Nenhum padrão havia. Uma grande comitiva, com várias carruagens repletas de bagagens, significava que poderia conter muito ouro e jóias. Portanto quem ditava a ordem das coisas era "a cara" do freguês. Uma simples travessia podia custar bem caro...
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
As ruas que davam de Palência até na direção de seu destino final na verdade eram verdadeiras vielas, logradouros estreitos, cheios de curvas, totalmente sem calçamento. Era semelhante ao caminho feito pelos seus parentes de Caleruega, que também transitaram na maioria do tempo entre florestas, charnecas e pradarias. Mas algumas paisagens próximas á Burgos sofreram alterações. Já não havia jardins e nem pomares. As terras abandonadas ocupavam a maior parte das áreas, restando apenas uns poucos arbustos e ervas. Grande parte do calçamento havia sido retirada para a construção de casas. Agora os buracos estavam por todas as partes...
...Alguns poucos trechos entre os vilarejos feudais não possuíam essa triste constatação de abandono e descuido. E nas pouquíssimas estradas que se encontravam em condições ideais de tráfego, o que mais se via eram cavaleiros bem armados cobrando pedágios. Ruas de calçamento em pedra, que davam em direção á grandes Catedrais, sempre tinham homens á postos para impedir quem tentasse passar sem pagar as taxas exigidas pelo senhor feudal. Qualquer ponte rusticamente erguida de pedras não lavradas necessitava-se pagar um soldo para atravessá-las.

domingo, 26 de abril de 2009

É preciso que haja segurança pública


Na idade média duas corporações de cavaleiros se destacavam. Uma se chamava "a paz de Deus", e a outra denominava-se "a trégua de Deus". Ambas eram forças de homens armados com espadas e lanças, bem treinados, e com seus cavalos plenamente equipados e prontos para o enfrentamento. A primeira corporação servia para proteger os eclesiásticos, campesinos, mulheres, crianças, comerciantes e bens de utilidade comum á todos, tais como moinhos, lavoura e animais. Já a segunda corporação servia exclusivamente para evitar que houvessem hostilidades e conflitos durantes as festividades religiosas, tais como a quaresma e a páscoa.
E porque existia tanto aparato de guerra?
Por causa das diversas rebeliões que eram provocadas pelos bandoleiros e mercenários. Estes eram verdadeiros rebeldes que a nada respeitavam. Eles burlavam as leis e ignoravam as autoridades com muita frequência.
Para manter a ordem então era preciso o uso da força intimidatória.
Vai ver que é desse tempo antigo que tiraram idéia para criar a polícia militar, o exército, a marinha e a aeronautica dos nossos dias.
A sociedade precisa de proteção. Os homens e mulheres comuns não utilizam-se de armas para viver. Poucos são os que possuem o porte de alguma arma de fogo. É preciso confiar esta tarefa - a da segurança pública - aos órgãos capacitados para isso.
Na antiguidade alguns soldados destas importantes cavalarias jogavam dos dois lados, como limpador de parabrisa. Não poucas vezes eles trabalhavam para quem pagasse mais. Também não poucas vezes eles matavam aqueles aos quais deveriam proteger. Os interesses econômicos estavam na frente de tudo. Se o clero desejasse proteção tinha que abrir a sacola. Se um ou outro cavaleiro achasse que o soldo pago não era suficiente então mudava de patrão e servia sem pestanejar aos bandoleiros da época, causando assim um terrível mal na sociedade, deixando-os sob o fantasma do medo.
Passados tantos anos será que alguma mudou para melhor? Será que os protetores da sociedade moderna ainda fazem o mesmo? Tomara que não... Tomara que não...
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Fazendo parte da corporação “a paz de Deus” Genaro Salvatore tinha uma clara função: proteger os religiosos de qualquer herege ou inimigo da Igreja.
As cerimônias de ordenação, chamadas de sagração do cavaleiro, davam-se nos Castelos ou até mesmo no pórtico de uma Igreja. Uma preparação sacramental, através da confissão e a comunhão eram exigidas. E para a confirmação era ainda necessária uma vigília na capela, seguindo-se então de banquetes e diversões.
Já em tempos de guerra a ordenação era feita através da entrega da espada e a simples saudação com tapas nos ombros. Como os tempos eram de guerra Genaro Salvatore recebeu sua ordenação da forma mais simples possível.
- O Cardeal manda comunicado para que vá se encontrar com ele na Basílica de Roma. Uma reunião está marcada. - Disse um emissário que representava o Clero.
- Quando se dará isso? - Indagou Genaro, da baia onde cuidava dos seus cavalos.
O outro então respondeu:
- O mais breve possível.

sábado, 25 de abril de 2009

Amigo


Geralmente, em rodas de bate-papo, ouço as pessoas comentando: - Fulano tem muitos amigos, tu precisa ver...
Ou então: - Beltrano é gente boa, ele tem um bocado de amigos também...
Dai fico cá com meus botões, pensando:"Será isto uma verdade ou estão exagerando?"
Fala-se em amizades como se fala em roupas, sapatos e relógios. Fala-se na existência de uma quantidade e variedade deles, como se estivessem por ai, o tempo todo, aos montes, fácéis e amáveis, tremendamente dispostos, com seu companheirismo, com sua fidelidade e sinceridade inquestionáveis no instante em que você precisar. Basta estalar os dedos e lá estarão eles, á postos...
Eu sei que existem pessoas que tem facilidade de arrebanhar e conquistar amigos. São pessoas extremamente adoradas pelos seus admiradores. Sei também de casos de pessoas que possuem esse dom - o de fazer amigos - e que quase são idolatradas, de tão queridas que são. Mas será que essa aparência, esse apego, esse entrelaçamento, essa comunhão, é o que é na real?
Não é difícil encontrar pessoas rodeadas de gente e mais tarde vê-las sozinhas pelos cantos. Ainda mais quando estão passando por alguma dificuldade. Dai sim os "montões de amigos" de outrora se traduzirão em apenas dois, ou um, ou nenhum amigo...
Um verdadeiro amigo é aquele que o aceita do jeito que você é. Um amigo é aquele que lhe estende a mão sem pedir nada em troca. É aquele que dá seu ombro como apoio. Que dá bons conselhos. Que participa com intensidade da sua vida. Que quer te ajudar e ver o teu bem. E que isso... E que aquilo..., etc, etc, etc...
Ser amigo não é fácil. Para ser um bom e grande amigo o sujeito tem que ter mais qualidades do que um candidato á Presidência. Mas ter amigos é algo necessário, bonito e agradável. Sendo que para muitos ter amigos é mais que fundamental e essencial que o próprio ar.
Então, responda para mim:
Seus amigos são tantos que dá para encher o Maracanã, ou os dedos de sua mão direita sobram quando você os conta?
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Meu pai morreu lutando pela Igreja, e eu estou morrendo de trabalhar para este senhor feudal. Tenho que fazer alguma coisa para mudar essa situação. Do jeito que está vou acabar matando um desgraçado de tanto ódio. Pensava Enzo Strozzi.
Os meses de ausência de seu trabalho deixavam-no ainda mais nervoso. Aquela relutância, em permanecer ali em Roma, deixava seu amigo Boullon Marques extremamente preocupado:
O que posso dizer á ele?
Depois de retornar para sua casa, terminando seus afazeres de chefe do exército, naquele dia, Boullon procurou seu amigo.
Enzo estava sentado em um canto da sala, amolando um punhal.
- Olhe bem pra mim Enzo e me escute. - Disse Boullon aproximando-se dele, abraçando-o. - Não fique triste, nem pense alguma bobagem. Sou seu amigo e lhe devo a minha vida. O que mais quero nesta vida é poder te ajudar, retribuindo o que você me fez um dia. Vá para sua casa e descanse um pouco, depois veremos o que poderemos fazer para aliviar esta sua carga.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Livros: A fonte do saber


Você gosta de ler? Você tem costume de ler? Quer seja revista, jornal, livros ou quadrinhos, qualquer um desses porventura atrai sua atenção para o primordial: a leitura?
Se sua resposta é sim significa que você está em um bom caminho. O caminho do aprendizado, do conhecimento e do saber. Um caminho que certamente trará luz e respostas á você. Quaisquer que sejam suas dúvidas, medos, anseios, limitação ou ignorância serão sanados através do hábito da leitura. Ler é render-se ao desconhecido. Ler é querer aprender. Ler é, antes de tudo, envolver-se, apaixonar-se, inteirar-se com algo novo.
Mas na leitura alguns enigmáticos mistérios acontecem. Primeiro porque nunca lemos tudo e de tudo. Segundo porque não temos a capacidade de gravar tudo. E terceiro porque sempre há algo que precisamos ver ou rever. Por isso você poderá se deparar com alguma coisa velha, tipo uma história antiga, já contada, mas que poderá achá-la interessante. E porque? Porque você não a conhecia em detalhes. E isso certamente ocorrerá com temas que você julga dominar, mas que no fundo, assim que sentar-se para ler algo á respeito, verá que alguns detalhes tinham lhe passado despercebido. Enfim, há mil motivos para ler.
Agora se sua resposta a minha pergunta inicial é não, não fique tão triste ou desapontado. É claro que você está perdendo um mundo de oportunidades e conhecimentos, mas nem tudo ainda está perdido. Veja só a internet. Ela veio para revolucionar até isso. Conheço pessoas que dizem que não leem e que não gostam de ler. Como a maioria dos brasileiros. Mas isso é uma inverdade. Quando se está em uma sala de bate-papo ou em um messeger o que fazemos? Escrevemos e lemos. Isso! Na verdade temos que ler aquilo que as outras pessoas mandam para nós.
Portanto assimile: Não há um humano sequer que saiba tudo, e também não há um humano sequer que não saiba nada. Por mais alienado que alguém possa ser, com certeza esse alguém deve ter aprendido alguma coisa na vida. Burro é só aquele animal, parente do jumento e da mula... Mas isso é consolo que não conforta á todos. Então mãos a obra e boa leitura!
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Sei de sua fé e boa vontade para com os mais necessitados. O que fez foi uma boa atitude, mas isso não é uma maneira correta de agir para um principiante na carreira Clerical. - Disse o Reitor pausada e pacientemente.
- Por quê? - Indagou inocentemente.
Ora, por quê?...
- Bem, - argüiu Asebes, - primeiro porque seus livros serviriam por toda a vida, e comida é comida, daqui á pouco não haverá mais nada. E outra coisa, esse não é um problema seu. A fome existe desde que o mundo é mundo.
Ele não aceitava aquela resposta.
- E de quem é o problema então?
- Ora de quem,... Dos Reis e de pessoas de poder que podem cuidar dos miseráveis.
- Mas a Igreja não é um desses poderes? Ela não serve para matar a fome dessa gente? - Perguntou, recusando-se a crer o que ouvia.
Ele insiste com isso. Se a Igreja tiver uns vinte alunos iguais á este rapidamente ela irá a falência! Pensou Asebes.
Depois de uma pausa, Asebes então prosseguiu:
- Escute rapaz, a Igreja não pode alimentar á todos que tem fome. Já pensou se ela se incumbir desta tarefa? Quantos filhos ela terá? Agora se realmente você quer vender os outros livros que ainda resta, e for dar de comer á esses miseráveis novamente, vá e faça isso, afinal de contas são seus livros mesmo. Mais depois não me venha com arrependimentos pelo que fez.
- Obrigado pelo conselho. Onde posso oferecer meus outros volumes?

domingo, 19 de abril de 2009

Bons tempos aqueles...


Quem não tem saudades da infância, hein? Quem não se lembra com nostalgia da época em que a vida era menos corrida, menos evoluida, menos cheia de coisas, mas muito mais cheia de calor e afeto humano. Quem não se recorda das molecagens, das enrascadas e das peraltices que fez ou se meteu? Não conheço um só ser que não tem saudades dos tempos que ficaram para trás. Se você não é tão antigo com certeza se lembra da calça boca de sino, do megafone, da brilhantina, dos bailes de salão... Parecia ser melhor do que os dias e tempos atuais. Há quem diga que realmente eram. Meus pais e avós, que viveram em tempos ainda mais remotos, teimam em afirmar isso. Alguns amigos também dizem o mesmo. Quer tenham vivido na miséria ou na abastança, todos são unânimes em afirmar que "antigamente era muito melhor".
Mas pergunto, discordando um pouco disso, será que era melhor mesmo? Antes de tentar responder pare um pouco. Reflita, relembre o máximo de fatos que puder, volte no tempo e tente repassar sua vida, naquela época, em sua adolescência ou infância, em apenas alguns minutos. Pronto, agora que já fez isso, responda com sinceridade: sua vida antigamente era melhor?...
É claro que fatos tristes, como a perda de parentes e amigos, irão pesar em algumas respostas. Nesse caso, se esse for o único motivo pelo qual você gostaria que o tempo voltasse, então é válido que o tempo volte mesmo. Estas vidas não teriam se perdido e você ainda poderia estar junto delas.
Mas fora isso, em uma análise mais abrangente, posso afirmar que a vida de hoje é a evolução e a maturidade da vida antiga. Portanto é muito melhor.
Comparemos brevemente. Você trocaria seu carro pela charrete? Trocaria a luz elétrica pela lamparina? A TV pela sala vazia e as histórias de mula sem cabeça? As roupas que hoje enfeitam as vitrines das lojas pelas feitas de saco de batata? Os aparelhos de sons ultra-modernos pelo megafone? Os sapatos e tênis atuais pelo tamanco? Não, é claro que não. Ninguém trocaria.
E isso sem contar as evoluções que tivemos nesses ultimos anos, tais como o celular, a internet, o micro-ondas, o avião, o foguete, etc, etc, etc... Qual destas invenções tem similar na antiguidade? Qual hobby do passado é melhor do que qualquer destes brinquedinhos futuristas?...
Recordar-se dos bons momentos é salutar, mas desejar que tudo volte a ser como era antes é o mesmo que querer entrar no ventre de sua mãe com cordão umbilical e tudo.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Já sua esposa Gioconda ajudava na colheita e fazia os trabalhos da casa. Apesar de já não possuir um único fio negro de cabelo em sua cabeça, ela era ativa, e sempre que podia ia á Igreja rezar. Nessa mesma noite, ao terminar os seus afazeres, ela se lembrava de como vieram parar ali, e de como começaram suas vidas no campo. Essa triste lembrança afetava seu humor, amargava seus dias e lhe trazia a triste constatação de que morreriam pobres e miseráveis naquele lugar. Mas ainda assim nunca deixava de incentivar os filhos á tentarem uma vida melhor e mais digna.
- É, o Alberto já dormiu. - Disse depois que se virou e observou o ronco pesado do marido.
Ah, Alberto era tão romântico e delicado. Que saudades daquele tempo á beira do mar, o cheiro suave das plantas e a vida menos sofrida... Os navegadores compravam conosco. Os mesmos navegadores que depois se envolveram em guerras... Guerras, para que isso? Só serve para destruir os sonhos. Minha juventude se foi mesmo... Agora meu marido só me diz: Ah, minha velha! E eu só posso retribuir: Ah, meu velho!

sábado, 18 de abril de 2009

Nota 10 ás mulheres


Uma canção que gosto, que motivou e embalou a juventude de muita gente, tem seu refrão mais ou menos assim: "Mulher, mulher, na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mais não chego aos seus pés."
Este trecho musical, feito por Erasmos Carlos, retrata bem a importância, a força e a grandeza da mulher.
Infelizmente nem todas as sociedades, nem todas as culturas e nem todos os povos respeitam os direitos da mulher como deveriam. Em alguns lugares, ainda hoje no século XXI, a mulher é tratada como ser inferior, sem direito ao voto, sem representatividade, sem liberdade e fardada apenas para o seviço do lar e o cuidado dos filhos.
E é nesse ponto que quero tocar.
Já pensou em trocar de lugar com ela durante um dia? Não? Seria bom se você fizesse isso. Já tentou memorizar quantas tarefas elas fazem? Aqui vão algumas: Preparar o café da manhã, lavar as louças, arrumar as camas, varrer a casa, lavar o banheiro, limpar o quintal, colocar o lixo na rua, tratar dos bichos de estimação, lavar as roupas, fazer o almoço, preparar o lanche da tarde, arrumar e mandar o filho para a escola, costurar as roupas, limpar os sapatos e os armários, tirar pó dos móveis e fazer a janta. Não bastasse isso ainda tem que dar atenção para o(s) filho(s) e para o marido, incluindo ai o sexo conjugal.
Achou muito? Mas não para por ai. A mulher de hoje, em sociedades democráticas mais abertas, conseguiu ganhar espaço, e por isso divide em igualdade de condições o mercado de trabalho com o homem. Então ela, além dos compromissos acimas citados, tem também de sair cedo de casa para buscar o pão de cada dia, no emprego que possui. Aquilo que outrora tinham de tempo livre para realizarem as tarefas caseiras, fica então restrito apenas para o horário noturno e os finais de semana. Acaba sendo uma jornada dupla ou até tripla. Tem de dar duro para dar conta. Isso requer muita dedicação e destreza.
Portanto valorize as mulheres. Respeite as mulheres. Elas não são sexo frágil coisa nenhuma. A era das cavernas, onde o homem arrastava-a pelos cabelos, já passou. Elas, além de trabalharem muito mais do que eu e você, também praticam o bem estar da coletividade com muito mais precisão e dedicação do que qualquer sociedade machista pode imaginar.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Quando ainda eram bem meninos, chegando quase á se formarem rapazes, Francesco Riva e Boullon Marques disputaram um torneio que dava a mão de uma dama para futuro compromisso. A vitória foi de Francesco Riva que acabou derrubando seu oponente duas vezes do cavalo. Boullon perdera o duelo e a moça. Mais o pior golpe ainda estava por vir. A moça que ficou como prometida para Francesco caiu em desgraça quando seu pai, um rico Duque das terras altas de Nápoles, perdera todas as suas terras para invasores, e preferiu se matar ao golpe da própria espada do que se ver na miséria. Francesco, ao saber do fato, foi até o Castelo da bela, retirou-a de lá, pagando dinheiro por isso aos conservos e depois, para surpresa de Boullon, foi vendê-la á peso de ouro como escrava á navegantes que cruzavam o Mediterrâneo. Boullon jamais se esqueceria disso. Ele amava aquela jovem. Nunca a venderia por preço algum.

domingo, 12 de abril de 2009

catequizar para lucrar


A cidade onde resido é uma "graça", para não dizer ao contrário. Falta emprego; o salário de quem trabalha é baixo; alguns poucos mandatários á comandam, como se fossem capatazes de uma grande fazenda; existe falcatruas na política; a câmara de vereadores é uma verdadeira zona; há escândalos em licitações; existe a chamada compra de voto e até esquemas de propina e facilitação. É quase que uma cidade provinciana. Mas uma coisa nela não falta: Igreja. Ah, isso tem de montão! Mas quanto emprego será que uma igreja gera? Um?
Tem igreja de tudo quanto é tipo e pra tudo quanto é gosto. Onde tinha uma fábrica, hoje virou um templo. Onde era uma carpintaria agora é uma outra denominação com alguns membros. Onde havia uma loja de material de construção vê-se lá irmãos e irmãs cantando e orando fervorosamente. Pura benção...
E o mais engraçado disso tudo é que estes "irmãos" pensam estarem realizando uma coisa boa. Pregam seus dogmas, disseminam teorias fantasiosas e mirabolantes e pertubam os vizinhos com suas músicas de péssimo gosto. Aliás, por falar em música, estas são tocadas em um volume quase ensurdecedor á qualquer hora do dia ou da noite. E, ai de quem se manifestar contra. O coitado será rapidamente condenado ao inferno, e com certeza dirão que é possesso de demônios por não gostar destes "hinos de louvor".
Para não me alongar deixo aqui algumas questões: Se estes crentes acreditam tanto em sua mensagem, porque não pegam um avião e vão aonde não existe Igreja? Porque, ao invés de ficarem trombando uma igreja na outra, lado á lado muitas vezes, eles não abandonam tudo e vão realizar as chamadas missões de evangelização ao redor do mundo? Será que ainda não se deram conta de que, se ficarem somente pregando na porta da minha e da sua casa, o deus deles nunca irá retornar? Será que também não notaram que á cada nova denominação religiosa que se inaugura diversos empregos são extintos?
É por isso que catequização é uma questão delicada. De que adianta encher o sujeito de palavras se o seu bolso e a sua barriga estão vazios? Será que os mesmos também estão vazios, hein pastor?

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Feito isso, Francesco Riva foi ao encontro dos missionários, em Roma. Ao revê-los, disse que havia tentado de tudo para catequizá-los, mas não houve possibilidade de convertê-los.
Portanto arranjou uma desculpa para o que havia feito:
- Acabei por eliminá-los.
Estava sendo sarcástico, e prosseguiu:
- Não tive outra escolha. Eliminei aqueles hereges do convívio de cristãos verdadeiros. Fiz um bem á humanidade. Os aliviei de pecarem ainda mais. Um dia ainda me agradecerão.
Sem nada responder, os missionários retiraram-se da presença de Francesco. Um deles, indignado, meneou a cabeça em represália ao ato de execução.
Francesco Riva notou a cólera do missionário e disse:
- Ora, mas quem diria! A Igreja não convocou moças para o serviço de catequização. Se não for por bem tem de ser por mal. Ainda não inventaram uma outra forma.
Fez uma ligeira pausa e depois concluiu:
- Agora, se não se esqueceram de nada, onde está o meu dinheiro?

sábado, 11 de abril de 2009

É proibido fumar


Sempre quando ouvimos falar de aumentos somos induzidos e influenciados a raciocionar que os motivos para tais aumentos estão relacionados com a mãe natureza. Algus lavradores alegam que choveu demais, por isso o preço do arroz e do feijão teve de subir. Já em outras oportunidades os criadores de gado alegam que, por causa do excesso de calor, e da escassez de chuvas, o preço do leite e de seus derivados sofrerá um forte aumento, pois o gado está magro e produzindo pouco.
E ficamos com cara de "tacho", achando isso um pouco estranho, mas até certo ponto normal.
Mas esses dias tive outra resposta para um recente aumento abusivo que diretamente me atingiu. Assim que comprei um maço de cigarros algo me impulsionou para que indagasse o dono do estabelecimento. Então perguntei:
- Porventura você tem uma explicação para esses sucessivos aumentos?
(Afinal de contas, no último mês, o cigarro sofreu um acréscimo de 17%, depois mais 30%, e já se fala em uma sobretaxa de 20%, totalizando 67% de aumento!)
O dono do bar então prontamente me respondeu:
- Ah, isso é porque o governo resolveu tirar o IPI(imposto sobre produto industrializado) do material de construção para lançá-lo sobre o cigarro e sobre a cerveja.
Humm... Então quer dizer que estes aumentos na verdade são um repasse de impostos?... Os fumantes é que terão de arcar com isso agora?... Pensei, entendendo finalmente porque o meu hábito de fumar estava ficando tão caro.
Dai ficamos conversando um pouco sobre esta inédita decisão dos políticos, analisando o quanto isso será bom ou ruim para a vida em geral, e depois disso fui embora.
Talvez você não fume e ache essa medida uma boa medida. Afinal de contas cigarro e cerveja são superfluos, enquanto que tijolo e cimento são essenciais. Mas para quem está na outra ponta do iceberg isso foi uma injusta "facada" no peito e no bolso.

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
As taxas e impostos eram abusivos e altíssimos, mas não tinha outro jeito, o povo era obrigado á cumprir com aqueles encargos.
Era munido deste poder e autoconfiança que o vassalo Bertone Pagani exercia sua força sobre os pobres camponeses. Seu principal objetivo para manter o cargo era a cobrança das taxas, e para isso usava de força e pressão contra os pobres e escravizados trabalhadores. Quer fosse o pagamento em dinheiro ou até mesmo em víveres, o importante era receber e fazer funcionar o sistema feudal. Esse tipo de administração era modelo em quase toda a Europa e isso fazia com que os pobres ficassem sem opção de melhoria em suas vidas.
Era o final de mais uma colheita. O clima ajudara. As chuvas caíram na medida certa. O sol não ficou tempo demasiado a irradiar seu brilho no céu. A natureza cooperou. As pragas deram uma trégua. O vento e as nuvens suavizaram os difíceis momentos de trabalho no campo. Agora era só colher os frutos e lucrar com eles.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Estou ocupado...


Certa vez convidei um amigo para comer uma pizza lá em casa. Era para ele ir com a esposa e as suas filhas. Mas para minha surpresa ele alegou que andava muito ocupado, sem tempo mesmo, e por isso adiou a tal confraternização. Isso aconteceu uma, duas, três vezes. Tudo bem, pensei. E o tempo foi passando...
Até que finalmente este mesmo amigo deu uma "deixa":
- Esses dias eu pensei naquela nossa pizza! - Disse ele, tentando reativar o antigo projeto.
Foi então, depois disso, que resolvi ligar para a esposa dele. Quem sabe ela se decida e finalmente queira realizar este tal jantar com as nossas famílias, eu imaginei cá com os meus botões.
Afinal de contas era ela mesmo quem decidia sobre os encontros sociais deles. Só que, para minha total frustração e decepção, a conversa no telefone não foi a desejada:
- Vocês poderiam vir aqui qualquer dias desses, hein?
E ela respondeu:
- Ah, nós estamos muito ocupados, sem tempo. Esse meio de semana não vai dar não...
Dai insisti:
- Que tal vocês virem no fim de semana?
- Ah, nesse não vai dar. Temos uma festa de casamento. Fomos convidados para sermos padrinhos...
Festa de casamento? Humm... Pensei. E então busquei outra alternativa:
- Que tal no próximo final de semana?
E ela categoricamente respondeu:
- Ah, no outro final de semana nós também temos um outro casamento para irmos... Que pena...
Conclusão: Não liguei mais, não convidei mais. Eles também não dispuseram outra data livre e ficou por isso mesmo. Nem eu te ligo, nem tu me telefona, diz o ditado.
Quando realmente queremos fazer algo não damos desculpas, simplesmente fazemos. Sempre há tempo livre para aquilo que queremos.

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- Sinto muito..., mas eu não posso ir vê-los agora.
Aquela resposta pareceu fria demais.
- Não pode vê-los? ... Por quê?
- Eu estou ocupado tio, muito ocupado. Agora não vai dar, depois...
- Depois, o quê menino? Meu irmão não te vê á quase dois anos! O que está havendo? ... Sua mãe está sofrendo demais com essa sua recusa, - acrescentou Antônio demonstrando uma tremenda fúria, - o que eles fizeram de tão mal para você?
O rapaz, que um dia iria se tornar homem, estava determinado em não ir ver seus pais. Ele parou, pôs uma das mãos no queixo, pensou em uma resposta e depois disse:
- Nada. Não me fizeram nada... Apenas os considero como outras pessoas comuns. Meus amigos e minha família são todos aqueles que fazem à obra de Deus. Há algum mal nisso?

domingo, 5 de abril de 2009

A escola da vida


Estranho é ficar sem estudar ou aprender algo. Desde o jardim de infância, passando pelo ginasial, pelo segundo grau, depois pela faculdade, pela universidade, e por fim chegando ao mestrado e ao doutorado, você sempre será incitado a conhecer e aprender sobre a vida e o mundo em que vivemos. Mas mesmo quem não teve a oportunidade ou vontade de estudar tanto assim, também recebe, ao longo de sua trajetória, ensinamentos proveitosos e significativos.
Na verdade, enquanto estamos vivos, sempre aprendemos alguma coisa. Á cada novo dia recordamos o que já sabemos e abrimos espaço para uma nova informação, para um novo aprendizado, para um novo acontecimento ou para detalhes que no dia anterior lhe passaram despercebidamente. Quer seja na sua profissão, no convívio familiar, no seu ciclo de amigos, na sua comunidade, em sua igreja, e até mesmo sozinho, você irá se deparar com novas ou velhas coisas que irão lhe ensinar algo. Não precisa estar muito "ligado" ou "antenado" não. Basta notar um detalhe: Sempre quando fazemos alguma pergunta para alguém, significa que estamos atrás de informação. Portanto aquela resposta, assim que obtida, será um ensinamento á mais na sua vida.
É claro que se você puder parar um tempinho nos seus afazeres, a fim de meditar na sua e nas demais existências que estão ao seu redor, com certeza o número e o grau de aprendizado será ainda muito maior. A escola da vida tem milhares de coisas que gostaria que você soubesse. Pode ser com as flores, com as plantas e até com os animais. Pode ser com as estrelas, com a lua ou com o sol. Poderá ser também com milhares de outras coisas visíveis e até mesmo com as invisíveis. Para qualquer lado que olhe ou reflita você sempre achará um ávido "professor" tentando lhe instruir em algum assunto.

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
A Igreja de Gumyel D’yzan, onde Antônio Gusmão era Reitor, ficava próxima da cidade de Caleruega. Fora neste lugar que muitos dos Sacerdotes do Reino de Castela e Leon haviam iniciado. A alfabetização era concedida com total propriedade pelos professores, fazendo com que destacados Clérigos da Igreja orientassem novos alunos para fazerem seu aprendizado também ali.
- Eu sei que ele já é alfabetizado, mas há muito que aprender. Esse menino começara á prender a ser um grande homem. A educação dispensada á cada aluno lá faz com que se tornem ávidos no trato pessoal. Isso também facilitará no caso de vocês irem visitá-lo. - Disse Antônio Gusmão, convencido de que aquela era a melhor opção para aquele menino.
- É claro que sim. Iremos vê-lo sempre que pudermos. Mesmo que fosse longe daqui nós nunca deixaríamos nosso filho isolado, de jeito nenhum. - Disse Félix convicto de que tomara a melhor e a mais difícil decisão de sua vida.

sábado, 4 de abril de 2009

Psiu!


Uma cena que gostava de ver era o Romário(jogador de futebol) correndo na direção da torcida oposta, com dedo em riste, mandando que estes se calassem. Sempre quando ele fazia um gol era assim que costumava comemorar. Era comum isso ocorrer no Maracanã, principalmente em dias de grandes clássicos.
Geralmente um atacante ou um artilheiro, assim que consegue fazer um gol, tende a comemorar com seus companheiros, com seu treinador e com a sua torcida. Isso é o normal. Essa é a ação esperada de quem luta para vencer seu adversário. Quando o consegue transpor o obstáculo volta aos seus e se alegra.
Pelé comemorava dando socos no ar. Zico corria, erguendo uma das mãos expalmadas. Já Rivelino esbravejava com raiva á beira do campo, gesticulando, xingando e gritando de tanta emoção que sentia. E detalhe, todos eles comemoravam junto de seus torcedores e fãs.
Mas com o Romário, esse folclórico personagem da bola em que acabou se tornando, era bem diferente. Se durante as partidas ele fosse, como normalmente era, tremendamente ofendido, vaiado ou difamado, dai com toda a certeza, assim que estufasse as redes adversárias, ele saia correndo na direção da torcida rival e fazia o seu tradicional gesto. E isso podia acontecer duas ou três vezes em um mesmo jogo. Não era moleza aguentá-lo quando queria se vingar. Ele, ao contrário do que mandava as regras de boa conduta do esporte, gostava mesmo era de desafiar seus oponentes, mandando-os que ficassem quietos e em silêncio.

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
Seu amigo Boullon Marques tentava contê-lo, mas Enzo Strozzi era a fúria em pessoa.
Haviam discutido pelos poucos soldos que recebera do seu senhor, pelo trabalho que tinha executado nas forjas das armas. Além disso, Enzo tinha a mágoa e decepção pelas falsas promessas do Clero á respeito dos soldos e indulgências que seu pai tinha direito.
Boullon pensou em propor-lhe algo e disse assim:
- E então, porque você não desiste disso, volta para Tívoli, entra na Igreja e pede misericórdia para ti e para teus conservos? Hein, o que me diz?
Realmente, nas tentativas anteriores Enzo havia fracassado.
Eles ainda vão me pagar... Todas As indulgências que um dia prometeram... Vão pagar tudo. Enzo Strozzi pensou, mas nada disse.
O silêncio era a resposta.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Calma, eu só estou brincando...


Um rapaz, certa vez, tinha um apelido que tentava manter oculto. Fazia ao máximo para que ninguém, mas ninguém mesmo, soubesse e contasse para os outros colegas. Mas um dia um dos seus amigos de escola, sorrateiramente, conseguiu descobrir o tal apelido. Pronto, a bagunça estava feita. Contou á todos e caçoou a vontade do pobre rapaz. Quando este já estava ficando furioso, por causa do desonroso apelido que tinha, o outro virou-se e disse: - Isso é só uma brincadeira!
Casos assim são conhecidos aos montes. Zomba-se da pessoa, ri e sacaneia á vontade para depois dizerem com a cara deslavada: - Eu falei de brincadeira!
Ou então, quando tiram mesmo a pessoa do sério, argumentam: - Você não aguenta brincadeira não?
Brincadeira... Humm...
Sabia que é durante as conversas informais, na pura descontração, muitas vezes regadas á bebida, no meio amigos e pessoas conhecidas, que falamos as maiores verdades uns aos outros? E que brincar, ou falar brincando, é uma salutar maneira de dizer tudo o que pensa á respeito do seu semelhante?
Isso não é nenhuma condenação, apenas uma constatação.
Portanto brinque. Brincar é bom. Nos faz voltar a ser criança. Mas tome cuidado, pois tem certas "brincadeiras" que são verdadeiros e sérios puxões de orelha.
SHALOM ALEICHEM

Trecho do livro: Quem és tu Domingo?
- O que é isso meu filho, quem te ensinou essas coisas? - Joana tornou a perguntar depois que se aproximou dele.
O menino hesitou, mas depois de um breve momento respondeu:
- Mamãe eu só estou brincando.
- E isso lá são brincadeiras que se faça?
Félix permaneceu estático assistindo á tudo.
O menino não entendia aquela censura e nem a cara de espanto deles. Para ele aquilo era normal, pois só repetia o que ouvia durante as conversas das ruas ou mesmo das reuniões realizadas no Castelo Gundemaro, quando seus pais recebiam vassalos e Nobres de várias partes do Reino...

- Os hereges devem morrer! – Dizia ele em uma outra sessão de brincadeiras com seus irmãos.
- Isso mesmo! Só assim o culto á Satã, realizados no nosso Reino, cessará. – Retrucou o outro. E prosseguiram em seus papéis teatrais:
- As abominações tem se espalhado por todos os lados.
- É verdade. Dizem que existem bruxas, que vivem próximas daqui, que praticam o coito com demônios horrendos!
- Deus!... E a Igreja, o que diz disso?
- Ela ainda tem se manifestado de uma forma um tanto quanto contida, mas creio que tomará providências á esse respeito...